"Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras? Tudo. Que desejas? Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)
Quero solidão."
-Cecília Meireles-



5 comentários:
Cecília é maravilhosa :)
Vc nasceu na mesma cidade que meu pai.. bacana isso! Beijão e obrigada por passar no meu blog :)
Cecilia é ótima né?
Beijos
viva penedo, linda cidade! viva você, fernando pessoa e eu ... todos geminianos...bj
As vezes se faz necessário está a sós, porém soliodão é estar sozinho até consigo mesmo....
Talvez neste poema Meireles estava tentanto se achar, achar um caminho e achar um amor.... descoberta esta que se faz todos os dias.... è preciso alimentar a alma com aquilo que é sólido, que não faz-nos viver na quimera e nem ser personagem irreal....
Já há muito não lia esse poema. Mas ele te reflete alguma coisa de ti? Assim como a personagem, também procuras a solidão? Talvez a autora a busque depois de frustrar-se com a ausência de solidão ou por achar que uma vida em comum pode ser conflitante demais.
Nem todos querem pagar o preço pelos benefícios que existe na solidão.
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